Como entendo a Fonética e a Fonologia
Inicio este resumo do que assimilei sobre a matéria apresentada no curso,
com uma citação feita por Ferdinand de Saussure em um dos materiais
apresentados nos módulos sobre Lingüística, de nosso curso de Língua Portuguesa,
perfeitamente elaborado pela professora Trícia – A língua é comparada a uma
folha de papel - “O pensamento é o anverso e o som o verso não se pode cortar,
ao mesmo tempo, o outro”. Assim, tampouco na língua se poderia isolar o som do
pensamento, ou o pensamento do som, só se chegaria a isso com uma obstrução
cujo resultado seria fazer psicologia pura ou fonologia[1].
A divisão da Lingüística é feita em várias áreas, dentre as quais
estudamos até agora a Fonologia, a Fonética e, chamarei aqui de subgrupos –
letra, Fone, Fonema e Alofone.
A Fonética
estuda os fatos físicos que caracterizam o som da fala e a Fonologia estuda a
interpretação dos resultados apresentado pela Fonética, onde temos os Fones,
que quando estes sons da fala apresentam propriedades distintivas que alteram o
sentido da palavra produzida, são chamados de Fonemas.
Ou seja, a Fonética são os sons da fala e a Fonologia a interpretação dos
resultados fonéticos.
Os Fones são produzidos pela Fonética Articulatória; são transmitidos
pela Fonética Acústica e percebidos pelo ouvinte pela Fonética Auditiva.
- A Fonética Articulatória – “Mostra que movimentos do aparelho fonador estão envolvidos na produção dos sons”.
- A Fonética Acústica – “Mostra as propriedades físicas - acústicas - dos sons que se propagam através do ar”.
- A Fonética Auditiva – “Mostra a maneira como os sons são percebidos pelo ouvinte”[2].
Na Fonética estudamos ainda a maneira que os sons se articulam no
aparelho fonador; pulmões, traquéia, laringe, lábios, dentes, língua, alvéolo,
palato duro e palato mole. Alvéolos são as cavidades que prendem os dentes;
palato duro é o céu da boca; palato mole é o véu palatino próximo à úvula,
campainha.
Devido a isso, define-se uma consoante como palatal, sendo o ponto físico
onde o fone consonantal se articula, ou seja, o ponto de articulação. Já o modo
de articulação vem com as diferentes formas com que o ar sai da boca quando se
produz um Fone; se, tem obstrução de ar é consoante, senão é vogal. As
consoantes se definem pelo ponto e modo de articulação, juntamente com a
articulação das cordas vocais.
As vogais, por sua vez, definem-se pelo posicionamento da língua e pela
abertura da boca. O que diferencia na execução física dos Fones é a vibração
das cordas vocais.
A Fonologia, de acordo com o que vimos neste módulo nos materiais
apresentados pela professora Trícia[3] - vai
interpretar os dados fonéticos, identificando as diferenças fônicas, a
Fonologia dá conta de explicar o que é Fonema, quando ele altera o que a
palavra significa.
Já a Letra, é tão somente a representação gráfica do Fonema. Exemplo:
TÓXICO - Fonemas: (&) /to/k/s/i/c/o – Letras: (6) t ó x i c o. GALHO –
Fonemas: (4) /g/a/lh/o – Letras: (5) g a l h o.
A Língua Portuguesa tem um quadro fonético de consoantes e vogais; os
Fones quando unidos geram as palavras. Um exemplo são os Fones [p] e [b] que se
encaixam na definição da Fonologia como – “Identificação de Fonemas por
oposição em contexto de par mínimo”. Ou seja, quando opondo dois Fonemas no
mesmo contexto, resulta-se em diferentes palavras, ex.: [p]ato, [b]ato.
Quando se estuda os Alofones podemos perceber que há a sua identificação
por meio de variação. São as variações do som de um mesmo fonema, ou de
diferentes formas de pronúncia que não alteram o significado das palavras e
ainda podem ser condicionados por outros
motivos, como oposição na palavra pela chamada distribuição complementar.
Continuando os estudos apresentados destaquei alguns pontos do escritor Marcos Bagno[4],
em Fonema? Pra que Fonema? O qual tem
uma visão bem contemporânea sobre os conceitos apresentados em livros didáticos
sobre a definição de Fonema.
- O Fonema é uma entidade virtual,
uma abstração, jamais um “som da língua”. A definição de Fonema como um “som da
fala”, foi abandonada há mais de cem anos. Para o autor, os símbolos fonéticos
é que “são som da língua”, como em MARÇO há a pronúncia com sotaque que muda o
som do R como letra, para o Fone [r] u [x] ou [ɹ], etc. sendo os Fones ou
Alofones.
Por isso,
segundo Marcos Bagno, que o Fonema é uma identidade abstrata que vem
identificada entre barras oblíquas e os Fones, que são os “sons da língua”, vem
entre colchetes.
Não existe correlação exata com o que se ala e o que se escreve; isto é
percebido no “sotaque”, termo em Português e, no acento, termo nas demais
línguas de origem latina. Os sotaques são as manifestações mais imediatas da
identidade lingüística dos falantes.
Abstenho-me de postar tabelas e símbolos fonéticos, que visualizei
intensamente no material de apoio apresentado pelo curso, para fazer uma
referência aos textos que vimos de diversos autores neste módulo, com destaque
para os acima citados, o lingüista Ferdinand de Saussure e o contemporâneo
Marcos Bagno, para fazer uma avaliação de que a humanidade evolui a cada
minuto, os estudos da linguagem sempre tiveram o objetivo maior de tornar a
humanidade mais culta, levando aos povos civilizados um entendimento entre o
que se fala e o que se escreve, nas diversas fórmulas e conceitos e, isto me
impulsiona a ir além, a buscar um aperfeiçoamento na linguagem, seja ela a
gramatical, a de sotaque, a dos diversos fonemas que usamos no dia-a-dia para
comunicar nossa necessidades e emoções, nossas vitórias e nossas derrotas, mas
acima de tudo lutar para que a educação e, principalmente o estudo do Idioma
Pátrio sejam valorizados da maneira que merecem em todos os segmentos da
sociedade.
Por : Gilberto Machado - Acadêmico do Curso de Letras Português e Espanhol FURG
[1] Ferdinand de Saussure
foi um linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas propiciaram o
desenvolvimento da linguística enquanto ciência autônoma.
[2] Extraído da lista de exercícios curso
Português Profª. Trícia Tamara Boeira do Amaral
[3] Entre Fones e Fonemas, compras e receitas
[4] Professor
do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade
de Brasília, doutor em filologia e língua
portuguesa pela Universidade
de São Paulo, tradutor,
escritor com diversos prêmios e mais de 30 títulos publicados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário