quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

 VIDAS PROVISÓRIAS

Resenha 

Os personagens


O livro conta as vidas de vários personagens que se vêem fora de sua terra natal, levados por diferentes motivos, mas sempre buscando a realização de seus sonhos, ou de pelo menos terem vidas mais dignas que em sua terra. Mas nem sempre estas válvulas de escape, ou até mesmo de fuga são no mínimo melhores do que o habitat que eles tinham em seus países dede origem.
Paulo e Bárbara, separados no tempo e na geografia, compartilham além da experiência do exílio o estranhamento pela perda de suas identidades, o isolamento e a sensação de interrupção do curso normal de suas vidas. Paulo, perseguido e torturado pela ditadura militar, é preso e abandonado sem documento na fronteira de onde em 1970 vai até o Chile e depois para a Suécia.
Bárbara, com uma identidade falsa sai do Brasil em 1991 durante o governo Collor, fugindo da violência e se instala nos EUA de forma ilegal, como muitos brasileiros que lá vivem.
Na Suécia, Paulo de apaixona e forma família com Anna, que milita na Anistia Internacional. As lembranças do passado sofrido de Paulo o perseguem, devido ao grande trauma que viveu.
À América, Bárbara, chegou ainda adolescente e teve de deixar seus sonhos de entrar na Universidade para trás, precisou como clandestina, fazer faxina, ser manicure e sem falar o idioma americano conviveu com outras mulheres fáceis brasileiras e acabou vivendo uma paixão impossível.
 



Bárbara anônima, Paulo encontrando um amor

Bárbara não passava de mais um rosto anônimo e estrangeiro na multidão, sem se integrar ao país que escolheu habitar. Quanto a Paulo, ele vive em um momento forte na história do Brasil, o inicio do regime ditatorial militar que comandava o Brasil em seu tri-campeonato mundial de futebol, impulsionado por um presidente fascinado pelo esporte e pela música ufanista que celebra a fertilidade do seu país – “90 milhões em ação, pra frente Brasil, salve a seleção” - Paulo lembrava a Anna momento do que era o Brasil que tivera que deixar para trás forçado pela Ditadura Militar, já na Suécia encontrara Anna com quem conversava longamente sobre sua vida no Brasil, desde a infância quando com 12 anos junto com seu melhor amigo Eduardo, tropeçou sobre o corpo de uma mulher morta, vitima da repressão na ditadura, não sabendo que futuramente ele seria uma vitima do novo regime que lhe tirou até o nome, pois agora, na Suécia, depois do Chile onde passou, seu nome era Nélson.
Em “Vidas Provisórias” o autor relata a cada dois pares de páginas trechos das vidas que Bárbara a jovem de 17 anos, saída de uma vida pobre e transtornada na periferia de São Paulo; Paulo, um estudante de direito abduzido de seu apartamento pelos militares ficando sem a identidade nata, passando a ter um codinome m outras pátrias que não a sua.
O amigo de Bárbara em Nova York, onde estava desde que fugiu de Newark, porque a polícia iria fazer buscas para extraditar estrangeiros - Sílvio um quase moribundo para quem Bárbara fazia limpeza do apartamento do hospital duas vezes por semana, depois de algum tempo sendo exterminado por sua doença e acabou partindo e Bárbara tomou posse do local.
Nélson, agora assim chamado, construiu uma família com a sueca Anna, a qual teve um filho que chamou de Eduardo, seu melhor e único amigo de infância. À Anna, Nélson contava tudo, de seus medos, de sua infância e do terror que viveu quando foi preso torturado pelos militares em 1970.
Paulo, ou Nélson teve após aberto o regime pelo presidente Figueiredo oportunidade de voltar ao Brasil, mas Anna, grávida precisava repousar e ficar na Suécia, tendo então seu segundo filho de Nome Joseph.
Barbara após anos em Nova York continuava na cidade, sem expectativa de melhora de vida, ou de até mesmo voltar à São Paulo, de onde saíra, morava em um prédio habitado por estrangeiros de várias nacionalidades.
Depois, a convite da UNESCO Paulo foi à França, onde seus filhos freqüentavam a escola e Anna trabalhava na Anistia Internacional Francesa.
Bárbara ficava somente em seu apartamento rodeada de vizinhos estrangeiros, a sua maioria latinos, às vezes recebia a visita de uma amiga que conhecera tempos atrás, a quem fazia suas confidências. Entre discussão e questionamento sobre sua identidade com as mulheres a quem Bárbara faz limpeza em seu apartamento, viam na TV o noticiário do atentado ao World Trade Center, as torres gêmeas.
Paulo, já em 2000, continuava suas viagens pelo mundo atribulado, em missão da UNESCO e Anna estava com os filhos de volta à Suécia.

Na vida de Paulo a história de conflitos mundiais

No livro “Vidas Provisórias” nas passagens de Paulo pelas mazelas das nações em guerra, percebe-se que o autor faz um repasse por fatos históricos e políticos de locais como o Oriente Médio, as ditaduras do Brasil e Argentina, do final dos anos 60 até os anos 2000, com guerras e ataques a civis, sempre com a interferência dos governos americanos nos episódios narrados.
Enfim, Bárbara encontra um sentido pra viver na América, conhece o filho de Paulo

Em Nova York, Bárbara chega a mais uma limpeza de apartamento que faria nestes anos em que está nos EUA. Quem lhe atende é um rapaz magro e moreno com sotaque que misturava o português com outra língua européia; ela estava pela primeira vez, depois que chegara à América sentindo algo que poderia ser amor.

Ele fez sua breve e simpática apresentação e ao final completou – “Meu pai é brasileiro, era exilado e trabalha na UNESCO. Minha mãe é sueca e meu nome é Edward Waltray Antunes.” - O destino unia ali, Bárbara refugiada na América em vontade própria, buscando uma vida melhor quando ainda era adolescente e, o filho de Paulo, torturado, preso e exilado por intermédio da ditadura militar brasileira. Ambos os frutos de “Vidas Provisórias”.
            Faço a recomendação aos leitores para que realizem a leitura deste, que é o segundo livro do autor, é um relato que nos remete aos sofrimentos de duas pessoas diferentes em espaço e tempo, mas que o destino cruza suas vidas de forma incrível e indireta. Faz-te viajar pelos diversos países onde Paulo e Bárbara percorrem na trama.

O autor

Edney Silvestre nasceu em Valença no Estado do Rio de Janeiro, em 1950, jornalista de longa carreira se destacou na cobertura aos ataques aos 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos para a Rede Globo - Quando era correspondente em Nova York, é apresentador do programa GloboNews Literatura.

Por:
 Gilberto Machado - Acadêmico do curso de Letras – Português e Espanhol da FURG


domingo, 1 de dezembro de 2013


Como entendo a Fonética e a Fonologia


Inicio este resumo do que assimilei sobre a matéria apresentada no curso, com uma citação feita por Ferdinand de Saussure em um dos materiais apresentados nos módulos sobre Lingüística, de nosso curso de Língua Portuguesa, perfeitamente elaborado pela professora Trícia – A língua é comparada a uma folha de papel - “O pensamento é o anverso e o som o verso não se pode cortar, ao mesmo tempo, o outro”. Assim, tampouco na língua se poderia isolar o som do pensamento, ou o pensamento do som, só se chegaria a isso com uma obstrução cujo resultado seria fazer psicologia pura ou fonologia[1].
A divisão da Lingüística é feita em várias áreas, dentre as quais estudamos até agora a Fonologia, a Fonética e, chamarei aqui de subgrupos – letra, Fone, Fonema e Alofone.
A Fonética estuda os fatos físicos que caracterizam o som da fala e a Fonologia estuda a interpretação dos resultados apresentado pela Fonética, onde temos os Fones, que quando estes sons da fala apresentam propriedades distintivas que alteram o sentido da palavra produzida, são chamados de Fonemas.
Ou seja, a Fonética são os sons da fala e a Fonologia a interpretação dos resultados fonéticos.
Os Fones são produzidos pela Fonética Articulatória; são transmitidos pela Fonética Acústica e percebidos pelo ouvinte pela Fonética Auditiva.
  • A Fonética Articulatória – “Mostra que movimentos do aparelho fonador estão envolvidos na produção dos sons”.
  • A Fonética Acústica – “Mostra as propriedades físicas - acústicas - dos sons que se propagam através do ar”.
  • A Fonética Auditiva – “Mostra a maneira como os sons são percebidos pelo ouvinte”[2].
Na Fonética estudamos ainda a maneira que os sons se articulam no aparelho fonador; pulmões, traquéia, laringe, lábios, dentes, língua, alvéolo, palato duro e palato mole. Alvéolos são as cavidades que prendem os dentes; palato duro é o céu da boca; palato mole é o véu palatino próximo à úvula, campainha.
Devido a isso, define-se uma consoante como palatal, sendo o ponto físico onde o fone consonantal se articula, ou seja, o ponto de articulação. Já o modo de articulação vem com as diferentes formas com que o ar sai da boca quando se produz um Fone; se, tem obstrução de ar é consoante, senão é vogal. As consoantes se definem pelo ponto e modo de articulação, juntamente com a articulação das cordas vocais.
As vogais, por sua vez, definem-se pelo posicionamento da língua e pela abertura da boca. O que diferencia na execução física dos Fones é a vibração das cordas vocais.

A Fonologia, de acordo com o que vimos neste módulo nos materiais apresentados pela professora Trícia[3] - vai interpretar os dados fonéticos, identificando as diferenças fônicas, a Fonologia dá conta de explicar o que é Fonema, quando ele altera o que a palavra significa.
Já a Letra, é tão somente a representação gráfica do Fonema. Exemplo: TÓXICO - Fonemas: (&) /to/k/s/i/c/o – Letras: (6) t ó x i c o. GALHO – Fonemas: (4) /g/a/lh/o – Letras: (5) g a l h o.
A Língua Portuguesa tem um quadro fonético de consoantes e vogais; os Fones quando unidos geram as palavras. Um exemplo são os Fones [p] e [b] que se encaixam na definição da Fonologia como – “Identificação de Fonemas por oposição em contexto de par mínimo”. Ou seja, quando opondo dois Fonemas no mesmo contexto, resulta-se em diferentes palavras, ex.: [p]ato, [b]ato.
Quando se estuda os Alofones podemos perceber que há a sua identificação por meio de variação. São as variações do som de um mesmo fonema, ou de diferentes formas de pronúncia que não alteram o significado das palavras e ainda podem ser condicionados  por outros motivos, como oposição na palavra pela chamada distribuição complementar.
Continuando os estudos apresentados destaquei alguns pontos do escritor Marcos Bagno[4], em Fonema? Pra que Fonema? O qual tem uma visão bem contemporânea sobre os conceitos apresentados em livros didáticos sobre a definição de Fonema.

- O Fonema é uma entidade virtual, uma abstração, jamais um “som da língua”. A definição de Fonema como um “som da fala”, foi abandonada há mais de cem anos. Para o autor, os símbolos fonéticos é que “são som da língua”, como em MARÇO há a pronúncia com sotaque que muda o som do R como letra, para o Fone [r] u [x] ou [ɹ], etc. sendo os Fones ou Alofones.
Por isso, segundo Marcos Bagno, que o Fonema é uma identidade abstrata que vem identificada entre barras oblíquas e os Fones, que são os “sons da língua”, vem entre colchetes.
Não existe correlação exata com o que se ala e o que se escreve; isto é percebido no “sotaque”, termo em Português e, no acento, termo nas demais línguas de origem latina. Os sotaques são as manifestações mais imediatas da identidade lingüística dos falantes.
Abstenho-me de postar tabelas e símbolos fonéticos, que visualizei intensamente no material de apoio apresentado pelo curso, para fazer uma referência aos textos que vimos de diversos autores neste módulo, com destaque para os acima citados, o lingüista Ferdinand de Saussure e o contemporâneo Marcos Bagno, para fazer uma avaliação de que a humanidade evolui a cada minuto, os estudos da linguagem sempre tiveram o objetivo maior de tornar a humanidade mais culta, levando aos povos civilizados um entendimento entre o que se fala e o que se escreve, nas diversas fórmulas e conceitos e, isto me impulsiona a ir além, a buscar um aperfeiçoamento na linguagem, seja ela a gramatical, a de sotaque, a dos diversos fonemas que usamos no dia-a-dia para comunicar nossa necessidades e emoções, nossas vitórias e nossas derrotas, mas acima de tudo lutar para que a educação e, principalmente o estudo do Idioma Pátrio sejam valorizados da maneira que merecem em todos os segmentos da sociedade.
 Por : Gilberto Machado -  Acadêmico do Curso de Letras Português e Espanhol FURG



[1] Ferdinand de Saussure foi um linguista e filósofo suíço, cujas elaborações teóricas propiciaram o desenvolvimento da linguística enquanto ciência autônoma.

[2] Extraído da lista de exercícios curso Português Profª. Trícia Tamara Boeira do Amaral
[3] Entre Fones e Fonemas, compras e receitas
[4] Professor do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da Universidade de Brasília, doutor em filologia e língua portuguesa pela Universidade de São Paulo, tradutor, escritor com diversos prêmios e mais de 30 títulos publicados.